11 de jul de 2012

JESUS, A ALEGRIA DOS HOMENS



7 SINAIS

Nem todos sabem que no evangelho de João foram registrados apenas sete milagres de Jesus das dezenas que conhecemos pelos outros evangelhos. Mas João decide escolher apenas sete e os chama de sinais, demonstrando que eles são mais do que milagres ou mera manifestação de poder, cada um destes sinais possuem um significado profundo que aponta para a verdade da revelação de Jesus Cristo como o Filho enviado de Deus que traz a vida eterna aquele que crê.

João 20,30-31 “Na verdade, fez Jesus diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.”

O primeiro sinal (João 2,1-11) - Jesus Transforma Água em Vinho

Vamos embarcar nesta viagem junto com evangelista João e perceber quais foram os sinais deixados pelo Homem Deus, que revelaram toda a glória de Jesus Cristo. Jesus celebra a vida comum

“No terceiro dia houve um casamento em Caná da Galiléia. A mãe de Jesus estava ali; Jesus e seus discípulos também haviam sido convidados para o casamento.”

A primeira lição dessa história é perceber que em Jesus temos a celebração da vida comum. A presença de Jesus numa festa de casamento, mostra sua aprovação tanto em relação ao casamento em si, quanto em relação a uma festa de celebração.

Ninguém estava doente, ou faminto ou possuído de espírito maligno; somente a festa de um casal desconhecido, onde a bebida havia acabado; qual a real importância disso?Jesus nos ensina que a vida comum é um sacramento, a vida cotidiana é também um exercício de espiritualidade.

Sabemos que jejuar é espiritual, mas saborear uma refeição também pode ser espiritual. Aprendemos com Jesus que isolar-se para orar é exercício de espiritualidade, mas por outro lado, reunir-se com irmãos e amigos em alegria também traz edificação. Entendemos que dedicar nossa vida ao ministério da evangelização ou ensino é um ato de consagração, mas também quando nos consagramos ao casamento e aos filhos abraçamos um ministério sagrado dado por Deus.

Todo milagre de Jesus é um sinal

“Tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Eles não têm mais vinho. Respondeu Jesus: Que temos nós em comum, mulher? A minha hora ainda não chegou”.

Jesus estava completamente focado em sua missão, seus milagres não eram aleatórios ou improvisados pela necessidade, ele se mantinha totalmente submisso aos propósitos de seu Pai.

O dialogo aparentemente ríspido entre Jesus e sua mãe, revelam que nenhum milagre seria realizado para atender favores pessoais, nem dos mais íntimos como Maria. Todo o milagre possuía um propósito maior do que a necessidade imediata daquele que era beneficiado pelo milagre.

Deveríamos meditar se não nos encontramos, muitas vezes, pedindo favores pessoais a Deus. Como íntimos e achegados, pedimos que Deus abra uma exceção em seu plano maior, só por nós, somente desta vez, em nome da nosso relacionamento. Deus não age assim; ele não tem compromisso com nossa agenda parcial e egocêntrica.

Mas para a sorte dos noivos e de todos os presentes, Deus tinha um propósito maior naquela situação, e um sinal do Reino de Deus seria manifesto diante dos discípulos.

Jesus é o propósito da Lei

“ Ali perto havia seis potes de pedra, do tipo usado pelos judeus para as purificações cerimoniais; em cada pote cabiam entre oitenta e cento e vinte litros. Disse Jesus aos serviçais: Encham os potes com água. E os encheram até a borda.”

João destaca este detalhe, pois, os potes simbolizavam a observância das leis cerimoniais pelos judeus. Um rito de purificação realizado durante as comemorações.

Ao ordenar que elas sejam cheias de água para outro fim, Jesus está inaugurando uma nova ordem; era o novo de Deus que estava chegando para aqueles que estavam abertos para recebê-lo.

Os lideres dos judeus nunca aceitariam a instrução de Jesus, pois estavam presos a forma literal da lei. Eles não aceitariam que os potes fossem usados para outro fim; o que seria uma profanação. Eles não estavam abertos para o novo, nem mesmo se este novo viesse da parte Deus.

Como discípulos de Jesus, devemos nos abrir para o novo de Deus. Através do evangelho do Reino, Jesus dará um novo significado para as nossas velhas vasilhas. A questão é se estamos abertos para receber o novo de Deus.

Jesus é o vinho novo

"Então lhes disse: Agora, levem um pouco ao encarregado da festa.Eles assim fizeram, e o encarregado da festa provou a água que fora transformada em vinho, sem saber de onde este viera, embora o soubessem os serviçais que haviam tirado a água."

A água dos potes se transformou em vinho, mas de uma forma quase natural, Jesus agiu sem fazer nenhum espetáculo. Não havia lugar para qualquer tipo de exibicionismo no ministério de Jesus.

O novo do Reino de Deus costuma chegar de maneira viva, mas discreta, como uma semente que brota lentamente até se tornar uma grande arvore. E de repente, o Reino de Deus chega, os céus se abrem e Deus se faz presente entre nós.

Mateus 9,17 - Ninguém põe vinho novo em odres velhos. Se alguém fizer isso, os odres rebentam, o vinho se perde, e os odres ficam estragados. Pelo contrário, o vinho novo é posto em odres novos, e assim não se perdem nem os odres nem o vinho.

Jesus é vinho novo e este vinho não cabe nas estruturas tradicionais religiosas. Nenhuma religião pode comportar aquilo que Jesus Cristo inaugurou. Aquilo que esta nascendo junto com a semente do evangelho e que será chamado no futuro de Igreja deverá ser algo completamente novo e diferente de qualquer religião.

“E disse: todos servem primeiro o melhor vinho e, depois que os convidados já beberam bastante, o vinho inferior é servido; mas você guardou o melhor até agora”.

A água é transformada em vinho, a antiga aliança se transforma em nova aliança. E aquilo que Jesus traz é muito diferente e muito melhor. O Reino de Cristo não é somente o ultimo, mas é também o melhor.

O sinal é para os discípulos

"Este sinal miraculoso, em Caná da Galiléia, foi o primeiro que Jesus realizou. Revelou assim a sua glória, e os seus discípulos creram nele."

Não é um absurdo dizer que talvez os convidados nunca souberam do milagre. Nada é registrado a respeito da divulgação do feito de Jesus, assim como nada é afirmado a respeito da reação dos noivos, ou a fé do mestre de cerimônia, ou mesmo dos servos.

João mostra que para Jesus o mais importante naquele momento era a fé dos seus discípulos. Deus não espera que o mundo creia e confie na sua palavra, mas Deus espera que em seus discípulos se manifeste a fé genuína e a confiança plena.

Precisamos entender que o sinal ou milagre de Jesus não produz a fé, antes, confirma esta fé no coração daquele que experimenta ou ouve o testemunho do sinal. Os discípulos embora estivessem presentes, precisaram crer que realmente havia água nos potes e que a água foi transformada em vinho por Jesus. Eles somente foram edificados pelo milagre porque creram em Jesus.

Jesus a alegria dos homens

O vinho, que sempre foi símbolo da alegria dos homens, é o evangelho de Jesus que traz a boa notícia do Reino ao homem aflito. No casamento em Caná aprendemos que Jesus veio trazer o “novo”, e o novo de Jesus traz consigo a verdadeira alegria. Como bem anuncia a famosa composição de J. S. Bach, Jesus é a alegria dos homens.

Lucas 2,10-11 - Mas o anjo disse: Não tenham medo! Estou aqui a fim de trazer uma boa notícia para vocês, e ela será motivo de grande alegria também para todo o povo! Hoje mesmo, na cidade de Davi, nasceu o Salvador de vocês – o Messias, o Senhor!

Nós os que cremos em Jesus estamos na expectativa de uma grande festa de casamento, mas desta vez Jesus não será somente um convidado, mas ele será o noivo e será um momento de grande alegria para todos os presentes. Então sentaremos a mesa com ele e compartilharemos do vinho novo de sua festa.

Apocalipse 19,7 - Fiquemos alegres e felizes! Louvemos a sua glória! Porque chegou a hora da festa de casamento do Cordeiro, e a noiva já se preparou para recebê-lo.

Um comentário:

José J de Azevedo disse...

Prezado Pastor André:
Muito sábia e oportuna a mensagem sobre o primeiro milagre de Jesus. Se há tanto materialismo em nosso tempo, por outro lado há também uma espiritualidade equivocada e legalista por parte de muitos religiosos. A afetividade, a alegria e a generosidade fazem parte da vida de quem tem em si o Espírito Santo. Jesus nos ensina que celebrar a vida cotidiana com a liberdade desse Espírito faz parte do Reino de Deus.