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11 de fev. de 2011

TROCANDO O BANQUETE POR BANANAS




“Buscai ,pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” Mt 6,33


Vivemos o dilema entre buscar o Reino de Deus e buscar as “demais coisas”; embora Jesus nos chame para um reino espiritual, prometendo que nada nos faltará, morremos de medo de aceitar este convite e ficar sem estas “outras coisas”.

Mas Jesus nos alerta que o nosso critério de valores está bem equivocado. Na verdade, estamos apegados aquilo que não tem valor real e desprezamos perolas e tesouros que o Reino nos oferece.

Armadilha para Macacos

A história é muito antiga, mas não menos curiosa. Algumas tribos africanas utilizam um engenhoso método para capturar macacos.

Como estes são muito espertos e vivem saltando nos galhos mais altos das árvores, os nativos desenvolveram o seguinte sistema: pegam uma cumbuca de boca estreita e colocam dentro dela uma banana.

Em seguida, amarram-na ao tronco de uma árvore freqüentada por macacos, afastam-se e esperam. Isso feito, um macaco curioso desce, olha dentro da cumbuca e vê a banana. Enfia sua mão, apanha a fruta, mas como a boca do recipiente é muito estreita, ele não consegue retirar a banana.

Surge um dilema: se largar a banana, sua mão sairá e ele poderá ir embora livremente, caso contrário, continua preso à armadilha.

Depois de um tempo, os nativos voltam e tranqüilamente capturam os macacos que teimosamente se recusam a largar a banana. O final é meio trágico, pois os macacos que são capturados acabam indo para a panela.


Enquanto estivermos cegados pelas bananas que a vida nos oferece, corremos o risco de perder a verdadeira vida. Há um banquete que não encontramos nesta estreita cumbuca que nos oferecem diariamente.

A ironia é que o medo de perder o pouco que temos poderá nos deixar sem nada. O apego demasiado ao passageiro e temporário, pode nos impedir de perceber o eterno.

Uma história de Jesus ilustra perfeitamente este equivoco:

Ao ouvir isso, um dos que estavam à mesa com Jesus, disse-lhe: “Feliz será aquele que comer no banquete do Reino de Deus”.

Jesus respondeu: “Certo homem estava preparando um grande banquete e convidou muitas pessoas. Na hora de começar, enviou seu servo para dizer aos que haviam sido convidados: ‘Venham, pois tudo já está pronto’.

“Mas eles começaram, um por um, a apresentar desculpas. O primeiro disse: ‘Acabei de comprar uma propriedade, e preciso ir vê-la. Por favor, desculpe-me’. “Outro disse: ‘Acabei de comprar cinco juntas de bois e estou indo experimentá-las. Por favor, desculpe-me’. “Ainda outro disse: ‘Acabo de me casar, por isso não posso ir’.

“O servo voltou e relatou isso ao seu senhor. Então o dono da casa irou-se e ordenou ao seu servo: ‘Vá rapidamente para as ruas e becos da cidade e traga os pobres, os aleijados, os cegos e os mancos’. (Lucas 14,15-24)


Todos queremos sempre o melhor para as nossas vidas. Se tivéssemos a convicção de que o Reino de Deus era o melhor, não desejaríamos outra coisa.

Nossas razões e justificativas somente revelam o nosso desinteresse. O Reino nos soa como uma festa pobre e chata, que qualquer compromisso de importância mediana justifica nossa ausência.

Mas o Reino de Deus não se explica, não há como fazer propaganda dele; o Reino de Deus a gente vê e se enxerga dentro dele. Em outras palavras, precisamos de revelação, que os nossos olhos espirituais sejam abertos e vejamos o banquete a que somos convidados.

Eis que estou a porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo. Apocalipse 3,20

Quero com alegria aceitar este convite! Quero desejar este encontro de todo o meu coração. Que o Espírito Santo abra os meus olhos para este banquete maravilhoso que é servido a mesa de Jesus. Quero mais, preciso de mais ! Quero muito mais do que bananas !

4 de fev. de 2011

O QUE NOS FARIA REVER NOSSAS PRIORIDADES?


Eclesiastes 2,11
Contudo, quando avaliei tudo o que as minhas mãos haviam feito e o trabalho que eu tanto me esforçara para realizar, percebi que tudo foi inútil, foi correr atrás do vento;


Meu amigo e mentor, o Pr. Ricardo Agreste, conta que todos os anos, no dia do seu aniversário, ele cumpre o mesmo ritual, já na primeira atividade do dia, num momento de solitude, ele lê novamente o livro do Eclesiastes, e se pergunta se em algum aspecto de sua vida, ele tem corrido atrás do vento.

Um filme que falou bastante comigo a este respeito foi “Naufrago” com o ator Tom Hanks, e desde então sempre que posso o assisto novamente.

O filme conta a história Chuck Noland, executivo da Fedex, tinha um bom trabalho e uma boa posição. Ele viajava o mundo dando treinamento, era dedicado e competente. Tinha família e amigos e até uma noiva. Vivia uma vida de sucesso para os parâmetros modernos.

O que Noland não percebia, pois nunca tinha tempo para refletir, era que sua vida era superficial. Ele era escravo do relógio, vivia para o seu trabalho e não conseguia desenvolver relacionamentos verdadeiros. Noland não tinha tempo para as pessoas e nem para os problemas das pessoas; ele nem mesmo tinha tempo para si mesmo.

Ele provavelmente viveria assim para o resto de sua vida; como muitos de nós que buscamos este mesmo estilo de vida, não mudaríamos por qualquer razão. Mas um acontecimento o transformaria para sempre. Depois de sofrer um acidente com seu avião, Noland, o único sobrevivente, passaria a viver em uma ilha deserta.

De repente suas prioridades mudariam completamente e ele passaria a enxergar a sua vida de uma outra perspectiva. Agora sim, ele teria todo o tempo do mundo para refletir porque corria tanto e o que buscava alcançar.

Ali, isolado naquela ilha, ele começa a perceber que antes do acidente ele já vivia em profunda solidão, embora rodeado de pessoas. Ali, pela primeira vez, ele começa a valorizar aqueles a quem perdeu, mas que nunca foram realmente dele.

Quantas vezes, nossas prioridades fazem parte de um mundo de ilusão criado por nós. Um castelo de cartas, onde reinamos com o nosso sucesso profissional, nossa realização pessoal e nossa boa imagem social.

Coadjuvante a este nosso mundo, existe uma outra realidade que pouco nos chama a atenção. Pessoas que rotulamos de família, vizinhos, colegas de trabalho. As pessoas que poderiam nos amar e aquelas que poderiam ser amadas por nós.

O que nos faria mudar? O que nos faria acordar para esta realidade e rever nossas prioridades? Um raio, um naufrágio, a visita de um anjo de luz ?

“Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios e sim como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus. Por esta razão, não vos torneis insensatos, mas procurai compreender qual a vontade do Senhor.” Efésios 5,15-17

A vida é curta demais para vivermos em nosso mundo imaginário e egoísta. A sabedoria que vem de Deus nos faz perceber as pessoas e entender como elas são de fato, o nosso mundo, o nosso mais precioso bem e a nossa maior prioridade.

20 de jan. de 2011

A ESPERA DE UM SINAL DE DEUS



“Ezequias havia perguntado a Isaías: Qual será o sinal de que o SENHOR me curará e de que de hoje a três dias subirei ao templo do SENHOR?” II Reis 20,8

Deus não só ouviu a oração de Ezequias, mas através do profeta Isaias prometeu a ele mais quinze anos de vida. E sob as ordens de Isaias, a ulcera do rei foi tratada ele ficou curado.

Contudo, Ezequias ainda pedia um sinal de que Deus cumpriria a sua palavra de cura. E não podia ser qualquer sinal, precisava ser o mais difícil; ele queria que a sombra sobre a escadaria de Acaz recuasse dez degraus. Surpreendentemente, Deus atende o pedido de Ezequias e realiza o sinal.

Pedir sinais e confirmações sempre foi uma pratica comum nos relatos bíblicos e continua sendo nos dias de hoje. Queremos ter certeza de que Deus está agindo. Precisamos sempre de mais uma confirmação dos céus de que a porta realmente está aberta. Embora esta atitude seja bem comum, sinceramente não creio que seja uma prática que agrade a Deus.

Então alguns dos fariseus e mestres da lei lhe disseram: “Mestre, queremos ver um sinal miraculoso feito por ti”. Ele respondeu: “Uma geração perversa e adúltera pede um sinal miraculoso! Mas nenhum sinal lhe será dado, exceto o sinal do profeta Jonas. Pois assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre de um grande peixe, assim o Filho do homem ficará três dias e três noites no coração da terra. Os homens de Nínive se levantarão no juízo com esta geração e a condenarão; pois eles se arrependeram com a pregação de Jonas, e agora está aqui o que é maior do que Jonas. Mateus 12,38-41

A palavra de Jesus nos deixa algumas considerações importantes:

Sem fé os sinais são inúteis

A verdade é que para um incrédulo nenhum sinal será suficiente. Basta lembrar o povo que saiu do Egito presenciando sinais extraordinários, mas não entraram na terra prometida, pois foram incrédulos e infiéis no deserto.

Por outro lado, para aquele que tem fé poucos sinais são necessários. Jesus ressalta que os ninivitas servirão de condenação para aquela geração incrédula, pois, se converteram com a mensagem simples de Jonas desprovida de milagres.

Porque pedimos sinais e confirmações a Deus? Precisamos com sinceridade, sondar nosso coração quando fazemos esta pergunta.

Buscamos justificativas para permanecer sem mudança? Quantas vezes procuramos desculpas para não reagir e mudar? Por falta de vontade, às vezes, por medo, ou quando estamos acomodados e conformados. E dizemos: Se Deus abrir mais esta porta, então eu mudarei.

Temos resistido a ação de Deus? A ação de Deus em nossas vidas constantemente confronta a nossa frieza, nosso egoísmo, nossa apatia e resistir a este trabalho de Deus é quase natural em nós.

Também pensamos a ação de Deus sempre como ação futura, como se ele começasse a agir a partir de nossos pedidos e clamores. Mas Deus já estava agindo em nossas vidas, muito antes de nossas orações. E nossa insistência em confirmações demonstram apenas nossa resistência ao seu agir.

Tem nos faltado fé? Quando somos dominados pela incredulidade, agimos como Tomé; se eu não vir com meus próprios olhos e não tocar com as minhas mãos, eu não crerei. A necessidade constante de sinais e confirmações esconde o peso de nossa incredulidade.

Jesus Cristo é o sinal do que Deus pode fazer pelo homem

Aquela geração a quem Jesus ministrava estava prestes a testemunhar o maior de todos os sinais vindos da parte de Deus, a morte e ressurreição de Cristo.

“Pois assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre de um grande peixe, assim o Filho do homem ficará três dias e três noites no coração da terra.”

De fato, a encarnação, a morte e ressurreição de Cristo são os únicos sinais necessários a fé cristã. E a nós, e as gerações posteriores de cristãos que não presenciaram estes sinais, nos tornamos testemunhas deles pela obra reveladora do Espírito Santo.

Quando então perguntamos: Qual é o sinal de que Deus nos ama? Ou, qual é o sinal de que Deus cuida de nós e quer nos salvar? A resposta será sempre, Jesus Cristo encarnado, morto e ressurreto.Nenhum outro sinal deveria ser necessário e nenhum outro sinal pode produzir fé no coração humano.

7 de jan. de 2011

O QUE NOS FALTA É UM PRAZO DE VALIDADE



“Naquele tempo Ezequias ficou doente e quase morreu. O profeta Isaías, filho de Amoz, foi visitá-lo e lhe disse: “Assim diz o SENHOR: ‘Ponha em ordem a sua casa, pois você vai morrer; não se recuperará’ ”. II Reis 20,1

Este parece ser um chamado constante de Deus para as nossas vidas: “Ponha em ordem a sua casa”. Nesta época do ano em que fechamos nossos “balanços” e viramos uma pagina de nossas vidas, este chamado parece ser ainda mais forte.

Aquela voz que diz, volte para os trilhos, dê mais atenção a sua vida espiritual, dedique-se aquilo que tem maior valor, se faz ouvir com muita nitidez.

Mas estamos acostumados a não dar muita atenção a este chamado, em parte, simplesmente, porque pensamos que temos uma vida toda pela frente para fazer isto.

O que parece nos faltar é um “senso de finitude”, ou seja, entender que a nossa vida aqui é breve e que não temos tempo a perder. Aquilo deve ser feito, precisa ser feito. As coisas mais valiosas da vida, como nossa saúde espiritual e os nossos relacionamentos pessoais, não podem mais esperar.

“Volte e diga a Ezequias, líder do meu povo: Assim diz o SENHOR, Deus de Davi, seu predecessor: Ouvi sua oração e vi suas lágrimas; eu o curarei ... Acrescentarei quinze anos à sua vida.” II Reis 20,5-6

Fico então imaginando como o rei Ezequias procurou viver estes quinze anos de bônus que Deus deu a ele depois de escapar de uma sentença de morte. Provavelmente estes anos foram vividos com mais coragem, muito mais objetividade, e com certeza, com mais responsabilidade.

Na prática, tenho a impressão que o que nos falta para sermos mais obedientes ao chamado de Deus é um “prazo de validade”. Adiamos as coisas mais importantes da vida, como se fossemos “Highlanders” , aqueles personagens de filme de ficção que viviam por milênios, se ninguém lhes cortasse a cabeça.

Que bom seria se eu não precisasse levar um forte susto, como ocorrera com o rei Ezequias, para ouvir o chamado de Deus. Bom seria se fosse necessário somente um convite a reflexão; coisa despretensiosa, que a gente sempre faz nesta época do ano.

Bom seria se eu desse ouvidos ao sussurro suave de Deus com atenção e prontidão; muito bom seria se Ele não precisasse usar de sua voz de trovão que despedaça os cedros, retorce os carvalhos e faz tremer os desertos.