27 de ago de 2013

QUANDO A ADORAÇÃO SE TORNA MURMURAÇÃO!



Asafe foi um conhecido salmista, nomeado pelo rei Davi, líder da adoração em Israel. No salmo 73 ele relata sua experiência de esgotamento espiritual. Ele descreve sua crise, seus sentimentos e com muita sinceridade confessa o que encontrou dentro do seu coração.

(13-14) Certamente foi-me inútil manter puro o coração e lavar as mãos na inocência, pois o dia inteiro sou afligido, e todas as manhãs sou castigado.

Estes versos expressam o centro da crise moral de Asafe: Não valeu a pena seguir o bem e a verdade . É inútil conservar o seu coração puro e integro. O sentimento é de cansaço e decepção, uma clara crise de fé e espiritualidade na vida do adorador.

Hoje, muitos cristãos passam por crises semelhantes; e secretamente questionam em seu coração se realmente vale pena seguir a Jesus e buscar a integridade de um discípulo. Não estão conseguindo ver a recompensa de suas jornadas, antes encaram todos os dias o sofrimento e as muitas lutas.

(2-3) Quanto a mim, os meus pés quase tropeçaram; por pouco não escorreguei. Pois tive inveja dos arrogantes quando vi a prosperidade desses ímpios.

Mas ainda a tempo, o salmista percebe que havia caído em uma armadilha. Que em sua caminhada espiritual ele havia desprezado os sinais de alerta e tomado um caminho estranho. Este era o momento de retornar e achar a sua trilha.

Precisamos deixar que o Espirito de Deus nos ajude a descobrir o que aconteceu nos porões escuros de nosso alma. E então deixar que a Palavra traga luz a estes cômodos escuros do coração que costumam esconder as verdadeiras razões de nossa angústia e ansiedade.

(21-22) Quando o meu coração estava amargurado e no íntimo eu sentia inveja, agi como insensato e ignorante; minha atitude para contigo era a de um animal irracional.

Com muita coragem o salmista consegue dar nome aquilo que ele encontrou em seu coração: Inveja. Vivemos em uma sociedade onde as pessoas não conseguem mais dar nomes aos seus pecados.  Até mesmo a palavra pecado parece ser evitada a todo custo. E quando os nossos pecados passam a ser domesticados e relativizados, eles deixam de ser identificados como pecado.

Quando dizemos por exemplo que alguém é ambicioso, o que isto significa? Isto é bom ou ruim? Já não sabemos, pois a ambição pode ser definida tanto com uma virtude quanto uma fraqueza. Mas se admitimos que por traz de nossa ambição, escondemos a inveja, ou ganancia, ou o orgulho, fica mais claro que se trata do mal seduzindo nosso coração.

Inveja - é um sentimento de tristeza perante o que o outro tem e a própria pessoa não tem. Este sentimento gera o desejo de ter exatamente o que a outra pessoa tem , o que pode ser tanto coisas materiais como qualidades inerentes ao ser. (Wikipédia)

A inveja adoeceu a alma de Asafe e o seu coração se encontrava muito angustiado. Ele admitiu que se tornou "insensato e ignorante" e até mesmo "irracional". Naquele momento seu julgamento estava totalmente comprometido e não conseguia avaliar sua vida com clareza.

(4-5) Eles não passam por sofrimento e têm o corpo saudável e forte. Estão livres dos fardos de todos; não são atingidos por doenças como os outros homens.
(12) Assim são os ímpios; sempre despreocupados, aumentam suas riquezas.

Por causa de sua inveja e angústia, Asafe passou a ter uma percepção distorcida da realidade. A sua descrição a respeito da vida dos maus é exagerada e claramente afetada pela sua depressão. Ele via os ímpios sempre despreocupados, sempre saudáveis e livres de qualquer sofrimento, desfrutando somente de paz e prosperidade.

Na verdade, a vida de ninguém é assim. Não existe ninguém livre da experiência de sofrimento. Mas quando estamos angustiados e deprimidos, só enxergamos a nossa própria dor. Enquanto as pessoas a nossa volta, merecendo ou não, parecem receber toda a recompensa.

Quando olhamos para a direção errada não conseguiremos ver a realidade. E esta foi a principal razão da crise de Asafe: Ele tirou os olhos da direção correta.

(10-11) Por isso o seu povo se volta para eles e bebem suas palavras até saciar-se. Eles dizem: "Como saberá Deus? Terá conhecimento o Altíssimo? "

Cabe aqui um alerta importante. Muitas vezes admiramos excessivamente pessoas que não têm o  temor a Deus, e nos voltamos para eles com grande admiração e "bebemos de suas palavras", como se fosse agua pura da fonte, mas que infelizmente, não são. Sejam artistas, políticos ou grandes escritores, se eles desviam nosso olhar de nosso mestre Jesus, não deveríamos dar atenção a eles.

(16-17) Quando tentei entender tudo isso, achei muito difícil para mim,até que entrei no santuário de Deus, e então compreendi o destino dos ímpios.

O encontro do salmista com a realidade acontece no momento em que ele finalmente entra na presença de Deus e então volta a ver as coisas com clareza. Pois, somente a comunhão com Deus nos fará  discernir o que realmente tem valor e aquilo que não tem valor algum.

A inveja dos maus é um sinal de falta de comunhão com Deus. A distancia entre o meu coração e o santuário fará com que eu sinta a necessidade de preencher este vazio de outra forma. Como é possível, alguem que tenha experimentado a salvação em Jesus Cristo e recebido de graça a vida abundante e eterna de Jesus, angustiar-se no desejo de ter a vida ou bens de alguém que nem mesmo conhece a Deus? Somente através da quebra da comunhão com o Senhor.

E muitas vezes podemos estar dentro do templo físico mas assim mesmo longe do santuário. Asafe era um adorador por ofício, ele conhecia muito bem este perigo.

"Corramos com perseverança a corrida que nos é proposta, tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé." Hebreus 12:1-2

Quem mantem seus olhos no mestre não sente inveja de ninguém. Quando em meio a uma crise de fé percebemos que nossos olhos se desviaram do Senhor ao retornar ao santuário só teremos uma reação: Pedir perdão por um dia ter desejado qualquer coisa que não esta presença provedora de Cristo.

(1) Certamente Deus é bom para Israel, para os puros de coração.
 
(27-28) Os que te abandonam sem dúvida perecerão; tu destróis todos os infiéis. Mas, para mim, bom é estar perto de Deus; fiz do Soberano Senhor o meu refúgio; proclamarei todos os teus feitos.


Existem coisas nesta vida difíceis de entender, mas o melhor que fazemos é concluir como salmista que bom mesmo é estar perto de Deus e fazer dele o nosso abrigo e esconderijo para todas as horas. Não há dúvidas, Deus é bom , e é bom estar perto de Deus.

2 comentários:

Gabriel Danilo de Paula disse...

Incrível essa reflexão... tenho pensado bastante sobre isso. O relativismo dentro de nós.

Rogéria disse...

lindo aqui , vem me visitar bj