9 de nov. de 2012

A FÉ DAQUELES QUE NÃO TINHAM FÉ



7 SINAIS – Segunda parte


O segundo dos sete sinais registrados em João, fala a respeito da cura do filho de um oficial, e está registrado João 4,43-54.

E havia ali um oficial do rei, cujo filho estava doente em Cafarnaum. Quando ele ouviu falar que Jesus tinha chegado à Galiléia, vindo da Judéia, procurou-o e suplicou-lhe que fosse curar seu filho, que estava à beira da morte.

O homem apresentado na história era um alto oficial do rei Herodes Antipas, sabendo que Jesus, o milagreiro, estava de volta a Galiléia, foi procurá-lo como último recurso na esperança de salvar o seu filho.

 Disse-lhe Jesus: “Se vocês não virem sinais e maravilhas, nunca crerão”.

Imediatamente Jesus usa o pedido do oficial para se pronunciar a respeito da incredulidade daquele povo; um povo que nem mesmo diante de muitas curas e sinais, se rendiam a manifestação do Reino de Deus.

Mas aquele pai desesperado não se intimidou com a censura de Jesus, pois diferente dos fariseus que pediam sinais para colocar Jesus a prova, aquele oficial não estava interessado em sinais, nem mesmo estava interessado em seguir a Jesus; seu único objetivo era a cura de seu filho; e para isso, e ele demonstraria algo que agradaria muito a Jesus, a fé.

A fé daqueles que não tinham fé

O oficial do rei disse: “Senhor, vem, antes que o meu filho morra!” Jesus respondeu: “Pode ir. O seu filho continuará vivo”.

Jesus já tinha ouvido o suficiente daquele homem desesperado; ironicamente havia fé e humildade suficiente naquele considerado um incrédulo pagão. Não havia necessidade de outro teste àquele humilhado pai que implorava pela misericórdia de Jesus.

Jesus identifica e celebra a fé daqueles que não tinham fé e que diferente de seu próprio povo se abriam para ação do Reino de Deus através do evangelho.

Jesus então, nos surpreende despedindo aquele homem com uma simples ordem de cura . Qualquer um de nós em seu lugar aproveitaria a oportunidade diplomática de acompanhar aquele oficial até sua casa, numa ação simpática e política diante de alguém tão importante. Aquela que seria a primeira cura de alguém realmente relevante para aquela sociedade, seria uma excelente propaganda do ministério de Jesus junto às autoridades de sua época.

Mas Jesus não demonstra nenhum interesse em angariar simpatia política, ou visitar os ambientes da alta sociedade de seu tempo. Ele trata o oficial da mesma forma como tratou a todos aqueles que buscaram a sua ajuda. Uma vez que Jesus não se deixa intimidar por nenhum tipo de status social, ele revela sua autoridade e liberdade de ajudar a qualquer pessoa.

Jesus respondeu: “Pode ir. O seu filho continuará vivo”.

Temos aqui uma demonstração de toda a segurança e confiança de Jesus. Somente alguém com  a autoridade de Jesus poderia ordenar uma cura daquela forma. Ele não precisava de diagnostico e também não precisava de confirmação. Vida e morte se submetiam a sua palavra e esta bastava para aqueles que tinham fé.

O homem confiou na palavra de Jesus e partiu.

Talvez ainda mais surpreendente seja a reação do oficial, que em nada questiona ou insiste, o que seria muito natural, se tratando de alguém que não estava acostumado a receber ordens, mas somente obedecido prontamente. O homem simplesmente creu na palavra de Jesus e foi para casa. Se Jesus de fato era quem ele tinha esperança que fosse, nada mais era necessário, alem de sua palavra de ordem.

Esta história nos lembra um outro episódio muito semelhante onde a autoridade de Jesus é ironicamente reconhecida por alguém que não pertencia ao povo da promessa; a cura do servo do centurião em Mateus.

Mateus 8,-10 - Mas o centurião respondeu: Senhor, não sou digno de que entres em minha casa; mas apenas manda com uma palavra, e o meu rapaz será curado. Pois também eu sou homem sujeito à autoridade, tenho soldados às minhas ordens e digo a este: vai, e ele vai; e a outro: vem, e ele vem; e ao meu servo: faze isto, e ele o faz. Ouvindo isto, admirou-se Jesus e disse aos que o seguiam: Em verdade vos afirmo que nem mesmo em Israel achei fé como esta.

É necessário reconhecer o sinal

Voltando a nossa história ...
“Estando ele ainda a caminho, seus servos vieram ao seu encontro com notícias de que o menino estava vivo. Quando perguntou a que horas o seu filho tinha melhorado, eles lhe disseram: “A febre o deixou ontem, à uma hora da tarde”  Então o pai constatou que aquela fora exatamente a hora em que Jesus lhe dissera: “O seu filho continuará vivo”.

Enquanto o oficial estava a caminho de casa lhe chega a notícia de que seu filho estava bem. Obviamente, os mensageiros não sabiam do encontro do oficial com Jesus, sua missão era avisar o seu patrão que ele não precisava mais buscar ajuda.

A tentação aqui seria pensar que foi tudo uma grande coincidência, e que o menino teria melhorado de qualquer forma. Mas não é o caso deste homem, ele creu e fez questão de confirmar a todos que seu filho tinha sido curado após a ordem de Jesus.

Fruto do testemunho e convicção do oficial, todos de sua casa também creram em Jesus. Esta é a dinâmica do evangelho, o testemunho e a resposta através da fé.

“O seu filho continuará vivo”

Nos chama ainda a atenção que esta palavra pronunciada tão graciosamente por aquele que tem toda a autoridade de doar vida a quem quiser. É uma palavra fundamentada no sacrifício daquele que carregou sobre si a condenação que estava sobre a humanidade. Aquele menino receberia de volta o direito de viver, porque um outro “Filho” não foi poupado da morte e do sacrifício.

A história da redenção nos revela que mesmo diante da dor de seu Pai, a morte do Filho Amado, pouparia a vida de tantos outros filhos e filhas adotados pela graça.

 “Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas?” (Romanos 8,31-32)

A graça e o amor que salva o filho do oficial é a mesma que entrega e sacrifica o Filho do Deus Eterno.

A autoridade de Jesus e a missão da Igreja

Nossa resposta a autoridade de Jesus Cristo é o reconhecimento, a adoração e a obediência. Como poderíamos permanecer indiferentes diante da palavra que gera a vida? A fé será sempre a nossa resposta e a obediência a sua consequência.

Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.

Mateus 28,18-20

Que leitura e a meditação nos sete sinais narrados no evangelho de João despertem em nós a fé e a confiança na autoridade de Jesus.

“Na verdade, fez Jesus diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.”
                                                                                       João 20,30-31


11 de jul. de 2012

JESUS, A ALEGRIA DOS HOMENS



7 SINAIS

Nem todos sabem que no evangelho de João foram registrados apenas sete milagres de Jesus das dezenas que conhecemos pelos outros evangelhos. Mas João decide escolher apenas sete e os chama de sinais, demonstrando que eles são mais do que milagres ou mera manifestação de poder, cada um destes sinais possuem um significado profundo que aponta para a verdade da revelação de Jesus Cristo como o Filho enviado de Deus que traz a vida eterna aquele que crê.

João 20,30-31 “Na verdade, fez Jesus diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.”

O primeiro sinal (João 2,1-11) - Jesus Transforma Água em Vinho

Vamos embarcar nesta viagem junto com evangelista João e perceber quais foram os sinais deixados pelo Homem Deus, que revelaram toda a glória de Jesus Cristo. Jesus celebra a vida comum

“No terceiro dia houve um casamento em Caná da Galiléia. A mãe de Jesus estava ali; Jesus e seus discípulos também haviam sido convidados para o casamento.”

A primeira lição dessa história é perceber que em Jesus temos a celebração da vida comum. A presença de Jesus numa festa de casamento, mostra sua aprovação tanto em relação ao casamento em si, quanto em relação a uma festa de celebração.

Ninguém estava doente, ou faminto ou possuído de espírito maligno; somente a festa de um casal desconhecido, onde a bebida havia acabado; qual a real importância disso?Jesus nos ensina que a vida comum é um sacramento, a vida cotidiana é também um exercício de espiritualidade.

Sabemos que jejuar é espiritual, mas saborear uma refeição também pode ser espiritual. Aprendemos com Jesus que isolar-se para orar é exercício de espiritualidade, mas por outro lado, reunir-se com irmãos e amigos em alegria também traz edificação. Entendemos que dedicar nossa vida ao ministério da evangelização ou ensino é um ato de consagração, mas também quando nos consagramos ao casamento e aos filhos abraçamos um ministério sagrado dado por Deus.

Todo milagre de Jesus é um sinal

“Tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Eles não têm mais vinho. Respondeu Jesus: Que temos nós em comum, mulher? A minha hora ainda não chegou”.

Jesus estava completamente focado em sua missão, seus milagres não eram aleatórios ou improvisados pela necessidade, ele se mantinha totalmente submisso aos propósitos de seu Pai.

O dialogo aparentemente ríspido entre Jesus e sua mãe, revelam que nenhum milagre seria realizado para atender favores pessoais, nem dos mais íntimos como Maria. Todo o milagre possuía um propósito maior do que a necessidade imediata daquele que era beneficiado pelo milagre.

Deveríamos meditar se não nos encontramos, muitas vezes, pedindo favores pessoais a Deus. Como íntimos e achegados, pedimos que Deus abra uma exceção em seu plano maior, só por nós, somente desta vez, em nome da nosso relacionamento. Deus não age assim; ele não tem compromisso com nossa agenda parcial e egocêntrica.

Mas para a sorte dos noivos e de todos os presentes, Deus tinha um propósito maior naquela situação, e um sinal do Reino de Deus seria manifesto diante dos discípulos.

Jesus é o propósito da Lei

“ Ali perto havia seis potes de pedra, do tipo usado pelos judeus para as purificações cerimoniais; em cada pote cabiam entre oitenta e cento e vinte litros. Disse Jesus aos serviçais: Encham os potes com água. E os encheram até a borda.”

João destaca este detalhe, pois, os potes simbolizavam a observância das leis cerimoniais pelos judeus. Um rito de purificação realizado durante as comemorações.

Ao ordenar que elas sejam cheias de água para outro fim, Jesus está inaugurando uma nova ordem; era o novo de Deus que estava chegando para aqueles que estavam abertos para recebê-lo.

Os lideres dos judeus nunca aceitariam a instrução de Jesus, pois estavam presos a forma literal da lei. Eles não aceitariam que os potes fossem usados para outro fim; o que seria uma profanação. Eles não estavam abertos para o novo, nem mesmo se este novo viesse da parte Deus.

Como discípulos de Jesus, devemos nos abrir para o novo de Deus. Através do evangelho do Reino, Jesus dará um novo significado para as nossas velhas vasilhas. A questão é se estamos abertos para receber o novo de Deus.

Jesus é o vinho novo

"Então lhes disse: Agora, levem um pouco ao encarregado da festa.Eles assim fizeram, e o encarregado da festa provou a água que fora transformada em vinho, sem saber de onde este viera, embora o soubessem os serviçais que haviam tirado a água."

A água dos potes se transformou em vinho, mas de uma forma quase natural, Jesus agiu sem fazer nenhum espetáculo. Não havia lugar para qualquer tipo de exibicionismo no ministério de Jesus.

O novo do Reino de Deus costuma chegar de maneira viva, mas discreta, como uma semente que brota lentamente até se tornar uma grande arvore. E de repente, o Reino de Deus chega, os céus se abrem e Deus se faz presente entre nós.

Mateus 9,17 - Ninguém põe vinho novo em odres velhos. Se alguém fizer isso, os odres rebentam, o vinho se perde, e os odres ficam estragados. Pelo contrário, o vinho novo é posto em odres novos, e assim não se perdem nem os odres nem o vinho.

Jesus é vinho novo e este vinho não cabe nas estruturas tradicionais religiosas. Nenhuma religião pode comportar aquilo que Jesus Cristo inaugurou. Aquilo que esta nascendo junto com a semente do evangelho e que será chamado no futuro de Igreja deverá ser algo completamente novo e diferente de qualquer religião.

“E disse: todos servem primeiro o melhor vinho e, depois que os convidados já beberam bastante, o vinho inferior é servido; mas você guardou o melhor até agora”.

A água é transformada em vinho, a antiga aliança se transforma em nova aliança. E aquilo que Jesus traz é muito diferente e muito melhor. O Reino de Cristo não é somente o ultimo, mas é também o melhor.

O sinal é para os discípulos

"Este sinal miraculoso, em Caná da Galiléia, foi o primeiro que Jesus realizou. Revelou assim a sua glória, e os seus discípulos creram nele."

Não é um absurdo dizer que talvez os convidados nunca souberam do milagre. Nada é registrado a respeito da divulgação do feito de Jesus, assim como nada é afirmado a respeito da reação dos noivos, ou a fé do mestre de cerimônia, ou mesmo dos servos.

João mostra que para Jesus o mais importante naquele momento era a fé dos seus discípulos. Deus não espera que o mundo creia e confie na sua palavra, mas Deus espera que em seus discípulos se manifeste a fé genuína e a confiança plena.

Precisamos entender que o sinal ou milagre de Jesus não produz a fé, antes, confirma esta fé no coração daquele que experimenta ou ouve o testemunho do sinal. Os discípulos embora estivessem presentes, precisaram crer que realmente havia água nos potes e que a água foi transformada em vinho por Jesus. Eles somente foram edificados pelo milagre porque creram em Jesus.

Jesus a alegria dos homens

O vinho, que sempre foi símbolo da alegria dos homens, é o evangelho de Jesus que traz a boa notícia do Reino ao homem aflito. No casamento em Caná aprendemos que Jesus veio trazer o “novo”, e o novo de Jesus traz consigo a verdadeira alegria. Como bem anuncia a famosa composição de J. S. Bach, Jesus é a alegria dos homens.

Lucas 2,10-11 - Mas o anjo disse: Não tenham medo! Estou aqui a fim de trazer uma boa notícia para vocês, e ela será motivo de grande alegria também para todo o povo! Hoje mesmo, na cidade de Davi, nasceu o Salvador de vocês – o Messias, o Senhor!

Nós os que cremos em Jesus estamos na expectativa de uma grande festa de casamento, mas desta vez Jesus não será somente um convidado, mas ele será o noivo e será um momento de grande alegria para todos os presentes. Então sentaremos a mesa com ele e compartilharemos do vinho novo de sua festa.

Apocalipse 19,7 - Fiquemos alegres e felizes! Louvemos a sua glória! Porque chegou a hora da festa de casamento do Cordeiro, e a noiva já se preparou para recebê-lo.

22 de jun. de 2011

Pedro e a pedra – Uma parábola sobre a santidade



“Mas ele respondeu ao seu pai: ‘Olha! todos esses anos tenho trabalhado como um escravo ao teu serviço e nunca desobedeci às tuas ordens. Mas tu nunca me deste nem um cabrito para eu festejar com os meus amigos. Mas quando volta para casa esse teu filho, que esbanjou os teus bens com as prostitutas, matas o novilho gordo para ele!” Lucas 15,29-30

A atitude do irmão mais velho na parábola do “filho pródigo”, nos ajuda a pensar em uma séria questão. Qual a motivação de nossa obediência a Deus? Quando buscamos a santidade, fazemos por culpa ou medo de punição? Ou quem sabe, nossa retidão é motivada pela esperança de um galardão ou até de benefícios divinos liberados ao longo de nossas vidas?

Uma história apócrifa sobre os discípulos de Jesus, nos ajuda a ilustrar a questão:

Um dia, disse Jesus aos discípulos: “Gostaria que carregassem uma pedra para mim.” Ele não deu qualquer explicação. Então, os discípulos procuraram pedras para carregar consigo; Pedro, prático como era, procurou pela menor pedra que pudesse encontrar. Afinal, Jesus não havia dito nada sobre tamanho e peso! Assim, colocou uma pedra no bolso. Jesus então disse: “Sigam-me.” E eles deram inicio a uma caminhada.

Por volta do meio dia, Jesus pediu que todos se sentassem. Fez um meneio com as mãos e todas as pedras se transformaram em pão. Então, disse: “É hora de comer.” Em poucos segundos a comida de Pedro havia acabado.

Terminada a refeição, Jesus pediu que todos se levantassem. Tornou a dizer: “Gostaria que carregassem uma pedra para mim”. Desta vez, Pedro pensou: “Aha! Agora entendo!” olhou em volta e viu um pequeno penedo. Suspendeu a pedra sobre os ombros, e era tão pesada que o deixou cambaleante. Mas pensava: “Mal posso esperar pelo jantar.” Então Jesus disse: “Sigam-me.” E eles deram inicio a outra caminhada, e Pedro mal conseguia acompanhar o grupo.

Por volta do horário do jantar, Jesus os conduziu para a margem de um rio. Disse: “Agora, quero que todos joguem as pedras na água.” E assim foi feito. Depois acrescentou: “sigam-me”, e começou a andar. Pedro e os outros olharam para ele, embasbacados. Jesus suspirou e disse: “Não se lembram do que eu pedi que fizessem? Por quem vocês carregaram as pedras?



No final da parábola do “filho pródigo”, o irmão mais velho acaba revelando o lado maligno de sua obediência. Ele não obedecia porque amava o Pai e desejava honrá-lo. De fato, ele não desfrutava e nem valorizava a presença do Pai em sua vida; tudo que lhe interessava eram os benefícios e as garantias desta presença.

Quantos de nós temos carregado pedras pesadas em nome da espiritualidade e da consagração a Deus? Mas a pergunta é : Para quem carregamos estas pedras? O que esperamos receber em troca? Será que a obediência a vontade de Deus, permanece para nós como um fardo pesado, o qual carregamos com grande sacrifício até o dia da recompensa?

A verdadeira santidade não espera recompensa. A verdadeira obediência não precisa de recompensa. Nós obedecemos porque amamos a Deus, e isto basta. A santidade genuína está em desfrutarmos da presença de nosso Pai e desejarmos permanecer nesta presença. Nossa alegria é ver a alegria de nosso Pai. Isto é a santidade.

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A história de “Pedro e a pedra” foi tirada do livro “O Deus pródigo” de Timothy Keller, publicado pela Thomas Nelson Brasil; que por sua vez cita Elisabeth Elliot em “These strange ashes”

18 de jun. de 2011

VOCÊ VAI ENTRAR PARA A FESTA?


“Todos os publicanos e pecadores estavam se reunindo para ouvi-lo. Mas os fariseus e os mestres da lei o criticavam: Este homem recebe pecadores e come com eles. Então Jesus lhes contou esta parábola ...” Lucas 15,1-3

Os fariseus e os mestres da lei se consideravam o grupo de judeus separado para obedecer fielmente a lei de Deus em todos os seus preceitos. Eles eram extremamente rigorosos em todos os aspectos.

Este grupo de judeus que também se reunia para ouvir Jesus, estava particularmente incomodado com o público extremamente profano e desqualificado a que Jesus atraía. E não raramente, protestavam sobre o fato de um rabino judeu sentar a mesa e ter comunhão com gente tão distante dos preceitos do Senhor.

Em resposta aos fariseus, Jesus conta as três parábolas relatadas em Lucas 15, através destas histórias Jesus explica porque o filho de Deus estava sempre rodeado de pecadores:

“um homem tinha dois filhos”

Assim começa a terceira história contada por Jesus, história que conhecemos como “A parábola do filho pródigo”, titulo que não traduz toda a verdade sobre a história que Jesus contou, pois ela não fala somente de um filho perdido, mas de dois filhos perdidos.

O filho mais novo

“O mais novo disse ao seu pai: ‘Pai, quero a minha parte da herança’. Assim, ele repartiu sua propriedade entre eles. Não muito tempo depois, o filho mais novo reuniu tudo o que tinha, e foi para uma região distante; e lá desperdiçou os seus bens vivendo irresponsavelmente.”


O filho mais novo é aquele que rompe com sua família e seu pai, pede sua herança e parte para viver uma vida de liberdade e independência, longe da tutela de sua família. No seu caminho perde tudo o que tem e acaba tomando consciência do erro que cometeu. Então humilhado decide voltar para casa e para seu pai, sem saber como seria recebido. E para seu espanto o pai o recebe com alegria e com perdão, aceitando-o de volta na família com uma grande festa.


O filho mais velho

“O filho mais velho encheu-se de ira, e não quis entrar. Então seu pai saiu e insistiu com ele.”


A história poderia ter terminado com a grande festa e a alegria do pai com o filho arrependido que voltou, mas Jesus decide contar o que acontece com o outro filho.

O filho mais velho chega em casa e percebendo que seu pai dava uma festa por causa da volta de seu irmão, fica furioso, recusando-se a entrar na festa. Seu Pai amorosamente vai ao seu encontro insistindo que entrasse na festa, mas ele permanece irredutível.

“Mas ele respondeu ao seu pai: ‘Olha! todos esses anos tenho trabalhado como um escravo ao teu serviço e nunca desobedeci às tuas ordens. Mas tu nunca me deste nem um cabrito para eu festejar com os meus amigos. Mas quando volta para casa esse teu filho, que esbanjou os teus bens com as prostitutas, matas o novilho gordo para ele!”

Com a sua ira o filho mais velho insulta seu pai, tratando-o com desrespeito, ingratidão e expressando todo o seu limitado senso de justiça. Para ele era inadmissível que seu irmão fosse aceito novamente em sua família.

O pai com doçura e paciência, insiste mais uma vez com seu filho “Meu filho, você está sempre comigo, tudo o que é meu é seu” Vamos entrar e nos alegrar com o retorno do teu irmão, ele estava morto, mas voltou a viver, estava perdido e foi achado.

Você vai entrar para a festa?

Repentinamente a história é interrompida, e todos que ouviam Jesus estão na expectativa do que acontecerá. Mas Jesus parece deixar o fim da história para ser concluída por seus ouvintes, os fariseus: O filho mais velho aceitaria o retorno de seu irmão arrependido e entraria para a festa de seu pai? Pergunta Jesus.

Nem sempre percebemos que nesta história existem duas metáforas de salvação. A primeira e mais clara é o retorno do filho arrependido a casa do pai. A segunda metáfora de salvação é o convide do pai para entrar em sua festa.

Jesus está tentando explicar aos seus ouvintes religiosos que se eles não se humilharem e aceitarem o convite do Reino junto com seus irmãos pecadores, eles é que ficarão de fora da festa do Reino do Pai.

Qual dos filhos representa a minha história?

Sou o filho que voltou arrependido por um dia ter virado as costas para Deus? Neste caso, sinto-me como alguém que foi atraído pelo amor do Pai para retornar ao meu lar. Na verdade, sinto-me muito mais amado por Deus do que realmente mereço. Sei que sou alvo de uma graça e misericórdia da qual não sou digno. Sei que um grande sacrifício foi feito para que eu fosse aceito de volta, e sinto-me graciosamente acolhido na família de Deus.

Mas também posso ser o filho frustrado, que se sente esquecido por Deus. Tenho uma sensação de injustiça e sinto que o Pai não correspondeu as minhas expectativas. Na verdade, tenho vontade de desabafar e dizer para Deus que não tenho mais certeza se ele é mesmo justo e bom. Sinto-me como um escravo fazendo a vontade do Pai, pois, de fato, não tenho outra opção. Somente suporto esta vida, pois acredito que haverá uma recompensa, uma herança. No fundo, alimento uma inveja das pessoas que romperam com Deus e foram viver suas vidas de liberdade.

Estranhamente, esta é a situação de uma pessoa religiosa, mas perdida, um crente que precisa de salvação. Há muitas pessoas religiosas que nunca chafurdaram na lama do pecado, mas nunca amaram de fato a retidão. Seu coração permanece na dúvida se a companhia do Pai é mesmo melhor que a liberdade do mundo. Elas também estão perdidas.

Mas o doce convite de Jesus permanece de pé. Aqueles que se humilharem e abrirem mão de sua justiça e pretensa retidão, serão recebidos por um Pai amoroso de braços abertos, desejoso de amar e de compartilhar a vida com seus filhos. A todos nós continua estendido o convite para a grande festa do Reino do Pai. Mas Jesus nos alerta: nesta festa somente podem entrar pecadores arrependidos.

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Parte das idéias e argumentos deste texto foram tirados do livro “O Deus pródigo” de Timothy Keller, publicado pela Thomas Nelson Brasil

25 de abr. de 2011

É segunda-feira e Jesus está vivo!



Depois disso Jesus apareceu novamente aos seus discípulos, à margem do mar de Tiberíades. Foi assim: Estavam juntos Simão Pedro; Tomé, chamado Dídimo; Natanael, de Caná da Galiléia; os filhos de Zebedeu; e dois outros discípulos. “Vou pescar”, disse-lhes Simão Pedro. E eles disseram: “Nós vamos com você”. Eles foram e entraram no barco, mas naquela noite não pegaram nada. Ao amanhecer, Jesus estava na praia, mas os discípulos não o reconheceram. Ele lhes perguntou: “Filhos, vocês têm algo para comer?” Eles responderam que não. Ele disse: “Lancem a rede do lado direito do barco e vocês encontrarão”. Eles a lançaram, e não conseguiam recolher a rede, tal era a quantidade de peixes. João 21,1-6 (NVI)

“No primeiro dia da semana, bem cedo, estando ainda escuro, ...”

Foi no primeiro dia da semana que segundo João, Jesus ressurgiu e apareceu a Maria Madalena, depois aos discípulos e uma semana mais tarde também a Tomé. Seria natural que eles esperassem que Jesus aparecesse sempre no primeiro dia da semana, enquanto estavam reunidos, como aconteceu até então.

Séculos mais tarde, no mundo cristianizado; estão todos a espera do Cristo que ressurge no domingo de páscoa. A festa está pronta, estão todos devidamente preparados, e a faixa de boas-vindas está no seu devido lugar.

Durante todo o fim de semana, procissões, dramatizações sobre a morte e ressurreição, vigílias em todo o país, até a TV vive sua semana santa, recheada de filmes bíblicos.

Em todas as igrejas a liturgia está pronta, a mensagem é apropriada e a música dá as boas vindas ao Cristo ressurreto.

“Depois disso Jesus apareceu novamente aos seus discípulos, à margem do mar de Tiberíades.”

Mas o que aconteceria se Jesus não viesse no Domingo? E se ele resolvesse aparecer na segunda-feira? Seria ele bem-vindo?

Não estamos preparados para o Cristo que ressurge na segunda-feira. A segunda é muito diferente do Domingo. A segunda é o pós-feriado, é o pós-festa, é o dia em que percebemos que comemos demais, que exageramos no chocolate, a segunda é o dia de começar a pagar a conta.

“’Vou pescar’, disse-lhes Simão Pedro.”

O Domingo é muito bom, o culto é sempre muito bom, a igreja é uma benção e a Páscoa é melhor ainda. Mas a segunda-feira é diferente, a segunda é secular, é dia de trabalho, é dia de cuidarmos de nossas vidas.
A segunda-feira é dia de fazer aquilo que Deus não pode fazer por nós. A segunda é dia de tomar minhas próprias decisões, e de fazer as coisas do meu jeito.

“... mas naquela noite não pegaram nada.”

Mas a segunda-feira também nos reserva uma dura realidade. É nela que encaramos o fim de nossas ilusões. É na segunda-feira que percebemos que “nossas redes estão vazias”. Aquilo que pensávamos que poderíamos confiar inteiramente, nos deixou na mão.

Meu trabalho, minha formação, minhas aptidões, minha família, minhas decisões; tudo que parecia tão bem planejado se transforma em decepção e nos vemos impotentes.

“Filhos, vocês têm algo para comer?”

Quando o Cristo ressurreto visita a nossa segunda-feira e nos pergunta: “Vocês conseguiram alguma coisa?” Respondemos frustrados que não conseguimos nada com as nossas tão competentes e planejadas, vidas seculares.

“Lancem a rede do lado direito do barco e vocês encontrarão”

É na segunda feira que o Cristo ressurreto nos convida a fé em obediência. Diz o Mestre: “Joguem as redes mais uma vez e vocês encontrarão o que procuram.” Este é o difícil momento de decidir se o Cristo que venceu a cruz e a morte, venceu também meu orgulho, minha autonomia e minha rebeldia.

É na segunda-feira que somos realmente confrontados com a palavra do Cristo, “sem mim nada podeis fazer” Não há peixes, não há vida, não há nada que valha a pena sem o comando de Sua palavra.

“Jesus aproximou-se, tomou o pão e o deu a eles, fazendo o mesmo com o peixe.”

Mas é a na segunda que ele nos chama novamente a comunhão: “Venham comer! Sentem-se comigo, está tudo bem, eu estou aqui!”

É na segunda-feira que as nossas incoerências são confrontadas e curadas: “Tu me amas?” Pergunta o Cristo. “Então segue seu caminho e cuida de seus irmãos”


O Cristo do Domingo quer ser também o Cristo da minha segunda-feira. O Cristo do templo quer também freqüentar a minha casa e o meu trabalho. O Cristo da Páscoa, do Natal e da Bíblia quer ser também o Senhor da minha vida.